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Você Ainda Não Conhece Catherine Capozzi?

Escrito por
Andrea Perrone

Cada vez que começo um artigo e tenho que selecionar um artista para escrever me pergunto o porquê da minha escolha. Hoje dou destaque ao trabalho da violonista/guitarrista/compositora/produtora Catherine Capozzi. Claro, pensei nela porque desejo dar visibilidade ao trabalho das mulheres instrumentistas. Também porque Catherine soma ao seu talento um espirito agregador e libertário, com influências, mas sem rótulos. Domina vários instrumentos e estilos musicais. Sua trajetória endossa o que escrevo. Foi selecionada por Brian May, guitarrista do Queen, para ganhar sua famosa guitarra “Red Special”. Sediada em Boston (MA), nos Estados Unidos, já tocou em toda Europa, Inglaterra e EUA. Seu estilo combina elementos de música cigana, psicodelia, surf music, hard rock, música do Oriente Médio e swing parisiense. Suas composições já foram destaque em vários programas de TV, incluindo History Channel e American Pickers. A revista “Guitar World” citou como uma das dez mulheres guitarristas/violonistas que você deve ouvir. O currículo é extenso, várias realizações e reconhecimentos. É impossível citar tudo em um artigo. No final da entrevista vocês encontrarão links sugeridos pela artista, que incluem músicas e mais informações sobre sua carreira. Para realizar a entrevista contei com a ajuda da cantora/compositora/violonista/guitarrista/produtora e tradutora Chris Amoretti.

 

Pergunta: Como foi seu inicio na música?

 

Catherine Capozzi: Comecei aos dez anos estudando violão clássico. Também estudei violino e bateria. Nunca estudei em conservatórios, sempre com professor particular. Considero três os mais importantes, meu primeiro professor, um ex-oficial da marinha aposentado, um que era professor da Berklee College of Music (Faculdade Berklee de Música sediada em Boston-Massachusetts), e Reeves Gabrels (guitarrista de David Bowie e The Cure). Profissionalmente comecei tocando em bandas cover, mas já me dedicava à composição. Chegou um momento que resolvi tocar minhas músicas.

 

Pergunta: Para mostrar suas composições você formou uma banda instrumental chamada Axemunkee. Também produz trilhas para vídeos. Suas gravações partem da sua maneira particular de tocar violão e guitarra, porém têm resultados sonoros bem diferentes. É intencional?

 

Catherine Capozzi: Eu imagino o violão como se fosse um violino, como uma voz. Penso muito na possibilidade de vozes dentro de uma composição. Também procuro misturar estilos para criar outro som, sem exatamente me ater a um estilo específico, uma categoria. Minha banda tem dois bateristas, gosto de juntar o acústico com o eletrônico. Eu aprendo muito nos festivais e isso acaba influenciando o trabalho. A trilha sonora que compus para o filme “Blood of the Tribades” acabou de ganhar como melhor música no Festival de Cinema “GenreBlast”.

 

Pergunta: Em 2016, você e David Newman formaram um Duo de violões, gravaram um disco e excursionaram. O trabalho é fruto do encontro de vocês no Festival Internacional de Guitarra de Zihuatanejo?

 

Catherine Capozzi: Sim, David é um obcecado por tocar! [Capozzi conheceu David Newman durante a realização do Festival Internacional de Guitarra Zihuatanejo em Março de 2015. Desde então, após várias jams durante duas edições do Festival, decidiram que era hora de gravar material juntos, o qual tem como influência Ennio Morricone, Filme Noir, música cigana, surf jazz polvilhado com sabores da música espanhola e do metal]

 

Pergunta: Aqui no Brasil, o trabalho das mulheres violonistas tem pouca visibilidade. Você enfrentou dificuldades por ser mulher?

 

Catherine Capozzi: Realmente. Uma das maneiras que encontrei para não vincular a minha música com o fato de ser mulher foi a criação do nome Axemunkee. A pessoa que escuta não sabe o sexo de quem está tocando. Na verdade, quando escutamos uma música, não deveríamos pensar “aqui é uma mulher solando, ou tocando outro instrumento. O importa é a música em si”.

 

Pergunta: Nos seus últimos trabalhos você tem utilizado violão nylon. Por que a volta para o violão nylon?

 

Catherine Capozzi: Eu gosto do violão cigano, percussivo. Além disso, me atraem atmosferas obscuras e dramáticas, sempre levando em conta as vozes que mencionei anteriormente, a melodia. Nesse caso o violão nylon tem um timbre mais adequado. Também voltei ao violão pois foi minha raiz, meu início musical, e também por conta da perda do meu irmão mais velho, morto recentemente. Ele sempre foi um grande incentivador, me levava às aulas quando era pequena, sempre estava nas apresentações me aplaudindo. Ele foi muito importante para o meu desenvolvimento como artista.

 

Pergunta: Qual seu set de violão atualmente?

 

Catherine Capozzi: Eu basicamente uso um violão Flamenco Córdoba GK Pró. Tenho experimentado diversas cordas, mas não tenho nenhuma específica.

 

Pergunta: Participamos este ano do Zihuatanejo International Guitar Festival. Um evento aberto a todos os estilos de guitarristas/violonistas. Acredito que rotular músicos e eventos a estilos musicais dificulta o trabalho do músico, a circulação de repertório e a formação de plateia. O que você acha?

 

Catherine Capozzi: Concordo plenamente! Acho muito ruim e nunca pautei meu trabalho por me encaixar em algum rótulo específico, a um estilo determinado. Além disso, gosto de misturar elementos de diferentes estilos, minha intenção é sempre de deixar o público tirar suas conclusões, curtir a música sem rótulos pré-estabelecidos. Veja, por exemplo, Rodrigo e Gabriela. Eles vieram do Metal. [Rodrigo y Gabriela são um duo mexicano de guitarra acústica cuja música é influenciada por uma série de gêneros, incluindo flamenco, rock e metal . Gravações da dupla consistem basicamente de duetos instrumentais na guitarra clássica . ]

 

Pergunta: Para finalizar, você tem alguma novidade para contar aos nossos leitores?

 

Catherine Capozzi: Está para ser lançada no final de setembro minha parceria com a cantora francesa Christina Goh. Gravamos vários singles e haverá também vídeos com as músicas em breve.

 

 

Discografia:

– Catherine and David Play Guitar (2016)

http://axemunkee.bandcamp.com/album/catherine-and-david-play-guitar

 

– Contorted Caravan Demos (2016)

http://axemunkee.bandcamp.com/album/contorted-caravan-demos

 

– Vortex (2011)

http://axemunkee.bandcamp.com/album/vortex

 

– SideWalk Mary (2008)

http://axemunkee.bandcamp.com/album/sidewalk-mary

 

Trilhas:

– Blood of the Tribades (2016)

http://www.soundtrack.net/album/blood-of-the-tribades/

– Spider Cult the Musical, Music Soundtrack(2016)

http://axemunkee.bandcamp.com/album/spider-cult-the-musical-music-soundtrack

Catherine Capozzi e Cristina Goh:

06 – Une postproduction « hors format »

00 – La décision

03 – Hors Format – Oversize Single – Nouvelles et tracklist

Redes Sociais:

https://www.facebook.com/catherine.capozzi

https://www.facebook.com/CatherineAndDavidDuo/?fref=ts

https://twitter.com/axemunkee

 

Site:

http://www.catherinecapozzi.com/

 

 

 

 

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